Os puristas audiófilos com certeza vão dizer que nada como o som analógico do vinil para manter toda a qualidade do som. Eles podem estar certos. Mas vamos ver como é que funciona a gravação de som:
Um microfone, em um dado momento, capta a soma de todos os sons que chegam nele. Isso pode envolver o piano, o baixo, duas vozes, e uma porta batendo ao fundo. Todos esses sons são somados em uma curva senóide cuja altura representa o volume do som, e o comprimento representa o "pitch", se o som é mais agudo ou grave. Como a cada momento temos uma somatória diferente, e tocamos todos os pontos na seqüência, conseguimos separar as vozes e os instrumentos. É como se estivéssemos vendo um vídeo, e analisássemos só uma imagem. Ao passar 24 imagens por segundo nosso cérebro é enganado e percebe movimento.
Temos duas informações por instante, a altura e o comprimento da onda, certo? É aí é que entra o "bitrate" da gravação: Qual a precisão utilizada? imaginamos um ponto exatamente na média do som. Se o som gravado está acima, gravamos 1. Se estiver abaixo, 0. Depois, dividimos o quadrante superior novamente, e repetimos a pergunta. Outro 1 (ou zero). E assim por diante.
Para 16 perguntas, temos um número binário como esse: 0100010101101111. E um som gravado à 16bits. Para 24bits, adicionamos mais 8 perguntas, chegando à uma pureza de som 256 vezes maior.
Há que lembrar que a música é um conjunto de sons no tempo, certo? Aí entra o "samplerate". Quanto maior esse número, maior o número de sons gravados por segundo. Por exemplo, 44.1KHz significam 44.100 sons por segundo. Por quê um número tão grande? Em função desse número ficará a maior amplitude desejada na música. Se forem poucos sons por segundo, e forem múito díspares, o seu ouvido vai perceber a descontinuidade e vai aparecer uma distorção harmônica.
O som analógico de um CD é convertido em digital utilizando 16bits para cada canal estéreo, à 44.1KHz. Isso dá um volume de dados gigantesco de 1411kbps. (1411200 bits por segundo)
E com isso, muito, mas muito pouca diferença com relação ao vinil (ou à fita cassete). Lógico que os sons analógicos produzem ruído, pois mesmo que não haja nenhum som gravado ainda teremos um barulhinho gostoso de fundo. Esse ruído às vezes faz falta no CD, e faz com que os puristas gostem tanto do analógico.
Além disso, como os sons são cortados para passar para o CD, incluíndo somente os que o ouvido humano consegue ouvir (com bastante folga, diga-se de passagem), um audiófilo de ouvidos meta-humanos pode sentir falta dessas vibrações muito graves e agudas.
Agora, E o MP3? É um zip para músicas. Consegue transformar o 1411kbps em 192 kbps sem perder quase nada na qualidade. (13% do tamanho original).
Para compressões maiores, a perda é maior, mas ainda assim uma resolução de 128 kbps ainda é muito boa.
Existem vários métodos utilizados na compactação de músicas, mas basicamente os sons não audíveis são retirados, e ao invés de gravar todos os sons, grava-se a duração de sons parecidos.
É mais ou menos o que acontece com o JPG em fotos. Quanto menor o tamanho, mais compromissada a resolução fica.
Eu não vou entrar nas diferenças entre tipos de arquivos e qual a melhor resolução, mas aqui em casa eu gravo a 192kbps e em MP3. Dizem que o Ogg Vorbis, o AAC e o WMA são melhores (compactam com perdas menores no mesmo bit rate), mas não tocam em todos os aparelhos. E eu tenho muitos MP3 a 128kbps e estou muito feliz também.
Sugiro um dia que ao copiar um CD, escutar o original e a cópia juntos. Aí você escolhe que tamanho de arquivo é o ideal.
Como exemplo, a mesma música ocupa:
128K AAC -> 3.4 MB
192K MP3 -> 5 MB
320K MP3 -> 8.3 MB
Esse acho que é o post mais nerd dos últimos tempos; Tentei adaptar uma reportagem da
Cnet e misturei com informações de compressão.
Espero que ajude quando forem falar com algum defensor do som analógico, ou com alguém contrário ao MP3. Agora o difícil vai explicar a diferença entre um cabo de R$10 e um de R$1.000.
Don't talk to me about som uma sexta abaixo